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A Liturgia nas Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

A Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil publicou este ano as novas Diretrizes Gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Estas são fruto do encontro da caminhada da Igreja no Brasil e nossa realidade com o Documento de Aparecida e o Magistério do Papa Francisco, suas pregações palavras e documentos.

Foi feita uma reestruturação geral das Diretrizes dando uma enfase a dois eixos condutores do planejamento da evangelização no brasil: a vida em comunidade e a vivência missionária. A comunidade foi apresentada com a metáfora da casa lugar de chegada, acolhida, convivência fraterna e lugar onde se vive a missão e se parte para a vivência missionária.

A Igreja é convidada a se organizar em comunidades que tenham o compromisso de viver como Casa da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária.  Estes quatro pilares sustentam a cassa. 

Estas comunidades-casas serão espaços de encontro, de ternura e de solidariedade; serão lugar da família e têm suas portas abertas. Este será um sinal profético num mundo de individualismo, de comunicações virtualizadas, de violência... Não é lugar de teorizações ou de reuniões para organizar e manter estruturas, mas,  lugar de aprofundar relações fraternas.

Viver como comunidade que é uma cassa da acolhida e ternura, sendo missionário, iluminados pela palavra, partindo o pão e praticando a caridade é um grande desafio pelo meio em que os cristãos inseridos, principalmente, por causa da cultura urbana. Esta cultura urbana não está eduzida às cidades mas alcança até os lugares mais distantes,

A resposta da Igreja a esse desafio é fazer com que as comunidades sejam lugar do encontro, da ternura, da vivência familiar, um lugar onde sempre se pode entrar para ser acolhido e sair para testemunhar a vivencia evangélica. Essa casa é um "lar" tanto na perspectiva pessoal quanto comunitária, social e ambiental.

Esse lugar de acolhida e ternura, então é sustentado pela Palavra que consiste na Iniciação à vida Cristã e na Animação Bíblica da vida e da pastoral. Sustentado pelo Pão, no sentido da espiritualidade e da vivência litúrgica. Sustentado pela caridade que é o serviço a vida plena para todas e todos. E sustentada pela ação missionária, pela resposta ao mandato do Senhor de levar seu amor a toda a humanidade.

Nestas novas diretrizes a Liturgia recebeu uma atenção especial, juntamente com a espiritualidade foi reconhecida como um pilar que sustenta a casa-comunidade, o pilar do Pão. O relato das primeiras comunidades é o texto inspirador: "eram perseverantes... na fração do pão e nas orações" At 2,42)

Ao abordar a ação evangelizadora relacionada aos pilares as DGAE usam os dois eixos que mencionamos acima, a comunidade e a missão. Primeiramente, como a Comunidade-Casa é sustentada pelos pilares e depois como estes pilares são vivenciados missionariamente.

Igreja nas casas

A Eucaristia era o lugar e o momento onde os cristãos expressavam sua comunhão celebrando a Ceia Pascal do Senhor.  É a Eucaristia que fortalece os discípulos missionários e faz deles testemunhas do Evangelho do Reino.

Para perseverar no seguimento do Senhor, os Discípulos Missionários sustentam sua comunidade a partir da Palavra de Deus na sua oração. O Espírito de Deus age nos Discípulos missionários para que como Jesus possam também entregar-se ao Pai, tornando-se colaboradores da missão salvífica de Jesus.

A pausa restauradora da Oração, da Eucaristia, da liturgia é o momento de permitir que o Espírito socorra os discípulos missionários de seus interesses próprios e de suas ideologias e modos de ver o mundo. As Diretrizes salientam que o agir não substitui a oração. As reuniões, planejamentos e todas as atividades da igreja devem partir da Liturgia e da Espiritualidade. 

A Liturgia é o lugar para onde vamos com nossas ações e vivências e de onde partimos para a vivência missionária e a vida no mundo. Sem uma espiritualidade litúrgica autêntica corre-se o risco de cair no ativismo, na vaidade, ambição e desejo de poder. E o pior de tudo de se tornar "funcionário do Sagrado".

As diretrizes lembram que "O Senhor deseja uma igreja servidora, samaritana, pobre com os pobres. composta de pessoas disponíveis a sair de si mesmos a ir ao encontro com os outros. Isso só é possível se há uma espiritualidade entranhada nas ações e se existem os momentos de vivencia da liturgia, principalmente no encontro com o Senhor na escuta da Palavra e na Celebração da Eucaristia.

As diretrizes fazem uma admoestação para que a piedade popular seja valorizada na pureza de suas expressões. E que se faça tudo para que não seja instrumentalizada pelo intimismo, consumismo e imediatismo.

A Igreja como comunidade que é casa de ternura e acolhida é também o lugar onde se celebra a misericórdia e perdão que vem do Pai. Formada por imperfeitos, essa casa é lugar da experiência da misericórdia. Formados no amor do Pai os Discípulos missionários tornam-se embaixadores da misericórdia.

Igreja em missão

Se por um lado a comunidade é lugar da acolhida, da partilha do Pão e da Palavra, por outro lado é dela que partem os discípulos missionários para fazer o amor e a misericórdia conhecidos.

A vida cristã não pode existir sem a Palavra e a Eucaristia. E estas são vivenciadas na liturgia. A liturgia é o coração da comunidade. É por meio da liturgia que o Pai expressa sua Palavra aos Discípulos; por meio dela, alimenta-os com a Eucaristia, une, consola, cura e manifesta sua misericórdia.

Celebrar o Dia do Senhor, seja com a Palavra ou com a Eucaristia é o ponto alto da vivência cristã. A família cristã se encontra com o senhor, fortalecendo os laços fraternos e motivando o compromisso missionário. O Domingo é dia da alegria, do repouso, da solidariedade e alteridade.

As diretrizes motivam para que tanto o subjetivismo emotivo e intimismos quanto a frieza da rigidez rubricista e ritualistas sejam evitados. As celebrações devem ser comunitárias. Devem levar à experiência do Mistério Divino e ao agir evangelizador aqui e agora neste momento histórico onde o Reino de Deus precisa mostrar seus sinais.

Encaminhamentos Práticos

Para terminar, as citamos algumas ações e modos de organizar a ação missionária das novas DGAE que ajudam a valorizar dinamizar o pilar do Pão, a Liturgia e a espiritualidade: 
 *  Resgatar o domingo como Dia do Senhor, com celebração da Eucaristia ou da Palavra de Deus, com diáconos ou ministros devidamente preparados para tal; (164-165)
* Incentivar a piedade popular como caminho de aprofundamento da fé; seja iluminada com a Palavra de Deus e as orientações da Igreja; (166)
* Valorizar o canto litúrgico e o espaço sagrado; (167)
* Respeite-se o Ano Litúrgico e evite-se celebrações de interesse individual; (168)
* As homilias sejam qualificadas e liguem a liturgia à existência e à vida comunitária e social; (169)
* As missas nos meios de comunicação estejam em conformidade com as normas litúrgicas e as orientações da CNBB (170)



As DGAE e a Liturgia - Parte I Planejamento

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019 e a Liturgia

Parte 1 Planejamento e vida litúrgica

Na última Assembléia da CNBB foi aprovada a revisão das DGAE. Alguns capítulos foram reescritos, outros apenas reorganizados, mas, o que fica muito claro é o desejo da Igreja no Brasil de acompanhar o impulso que o Papa Francisco tem dado para a construção de uma Igreja em estado permanente de missão, uma igreja em saída, renovando as estruturas e sendo sinal da presença de Cristo, principalmente, nas periferias existenciais.
Neste contexto de adaptação e aprofundamento do caminho que a Igreja no Brasil já vem trilhando faremos alguns apontamentos no que diz respeito à espiritualidade pastoral e litúrgica a partir das linhas gerais das novas DGAE.
Para começar vamos ao final do texto das DGAE onde encontramos uma chave de leitura e chamada de atenção para o sentido da Ação Evangelizadora. Todos sabemos a necessidade de aprofundar nossas capacidades técnicas em termos de planejar nossas ações, traçar caminhos e estipular metas no que diz respeito à ação evangelizadora. 
Esta é uma problemática que salta aos nossos olhos quando vemos nossos esforços de evangelização não resultarem em um aprofundamento da vida cristã, ou numa maior aproximação das pessoas com Jesus Cristo, e, mesmo numa reaproximação com a comunidade de fé. Freqüentemente, nosso modo de agir peca pela falta de planejamento, de construção de um projeto que tenha metas claras e estipule estratégias simples e factíveis.
Mas, por outro lado, corremos o risco de imaginar nossa ação evangelizadora como algo parecido com a administração de uma empresa ou com a execução de algum projeto de marketing com um viés religioso.
Essa é a grande chamada de atenção no final do texto das DGAE, é preciso lembrar que o planejamento pastoral deve fazer uso de todas as técnicas disponíveis que nos ajudem a avançar na ação de Evangelizar. No entanto, o planejamento pastoral não se limita a um processo técnico. O planejamento pastoral, por lidar com a ação de Evangelizar, é, por isso mesmo, uma ação carregada de sentido espiritual. Como bem sabemos, é o Espírito que governa a Igreja, por isso, é preciso aprender a equilibrar a necessidade de aperfeiçoar a nossa capacidade técnica com a docilidade ao Espírito de Deus.
Buscar este equilíbrio é o que impede que a Igreja não vá aos extremos, tanto do puro ativismo quanto da acomodação. É urgente superar as estruturas arcaicas, como vinha apontando o Documento de Aparecida e como confirma o Papa Francisco convidando-nos a sair da pastoral da manutenção. Segundo as DGAE, para encontrar o equilíbrio, é preciso que todo o processo de planejamento seja rezado, celebrado de transformado em louvor a Deus. 
Em relação à vida e a vivência litúrgica na igreja nada é diferente. É sempre urgente a necessidade de aprofundar, além do conhecimento e da experiência litúrgica é preciso investir no desenvolvimento de capacidades técnicas para saber planejar, traçar caminhos e estipular metas.
Em relação à espiritualidade litúrgica de uma comunidade é importante que se descubra com clareza quais são as maiores necessidades, seja de conhecimento ou de vivência da liturgia. A partir deste diagnóstico a Pastoral Litúrgica deve estipular as metas a serem alcançadas. 
Com metas claras faz-se o planejamento das ações. Estas ações na espiritualidade litúrgica tem há ver tanto com a formação e vivência quanto com o trabalho de preparar executar e vivenciar os ritos, festas e celebrações no decorrer do ano litúrgico.
Este planejamento é direcionado pelo desejo profundo de que as vivências litúrgicas da comunidade levem a um verdadeiro aprofundamento da vida cristã, uma aproximação com a pessoa de Jesus Cristo e uma maior integração na vida da comunidade.
Por estes mesmos motivos o planejamento da vida litúrgica não se reduz a um processo técnico, mas é um percurso carregado de sentido espiritual no qual a comunidade deixa-se conduzir pela força do Espírito Santo a fim de tornar-se cada vez mais uma comunidade de discípulos missionários alimentados pela vivência da liturgia. 
Assim, também, no planejamento litúrgico da vida da comunidade deve-se equilibrar a necessidade de aperfeiçoamento e uso das capacidades técnicas com a docilidade ao Espírito Santo.
Que nossas comunidades possam encontrar equilíbrio na sua espiritualidade litúrgica fugindo tanto do puro ativismo quanto da acomodação.